Entre saberes: Mestrandas da PUCPR debatem com membros do Fórum DCA-Curitiba resultados de pesquisa de mestrado

11 de outubro de 2017

IMG_8509O Centro Marista de Defesa da Infância, em articulação com o Fórum dos Direitos das Crianças e dos Adolescentes de Curitiba, organizou nos dias 06 e 10 de novembro as apresentações das conclusões obtidas nas dissertações de mestrado “Autores da violência sexual contra a criança em Curitiba – PR: uma perspectiva bioética – perfil do AVS”, desenvolvida pela Mestre Celia Silva, e “Perfil da criança vítima de violência sexual e o cuidado da enfermagem: análise sob uma perspectiva bioética”, da autora Houda Izabela de Oliveira, aos membros do Fórum DCA-Curitiba.

A pesquisa de Célia Silva concluída no mestrado em Bioética da Pontifícia Universidade Católica do Paraná – PUCPR teve por foco identificar o perfil socioeconômico, etário e criminal dos autores de violência sexual contra crianças. O seu recorte metodológico analisou processos criminais em andamento na cidade de Curitiba no período de 2014 e 2016, e deste modo, forneceu às presentes informações específicas sobre o contexto em que atuam. Com um caráter inovador, o estudo elegeu como objeto os agressores, a partir da perspectiva da bioética, diferenciando-se da tendência de pesquisas sob o viés da psicologia e psiquiatria. Ou seja, corrobora para que sejam pensadas novas estratégias articuladas que combinem primordialmente a proteção da criança, mas sem descorar da atenção necessária ao agressor. Isto significa que conhecer melhor o perfil do agressor, as possíveis causas para a realização desse ato, contribui no melhor desenho das políticas de prevenção e proteção.

No dia 10 de novembro, a pesquisa de Houda Izabela de Oliveira, também concluída no âmbito do mestrado em Bioética da Pontifícia Universidade Católica do Paraná – PUCPR, teve por foco analisar o perfil das crianças de 0 a 12 anos atendidas em equipamento hospitalar. Para tanto, a pesquisadora analisou as fichas e prontuários das crianças atendidas e identificadas como vítimas de violência sexual, sendo que a maior parte era do sexo feminino. Foram ao todo 182 casos analisados, destes, 94 classificados como força corporal e 72 ocorridos na residência da vítima. Ao menos duas considerações preliminares destes números são indicadas pela pesquisadora, a primeira de que existem outras formas de violência sexual que acompanham a violência sexual; a segunda de que sendo a residência o local com maior incidência de casos, o trabalho de identificação do agressor é dificultado pelo silêncio da vítima e pelos constrangimentos de conviver com o agressor.

No que signifique os laços de parentesco identificados entre agressor e vítima, pai e padrasto foram os que mais apareceram nas análises realizadas. A pesquisa abordou ainda os dilemas éticos que se coloca aos profissionais de saúde que atuam no atendimento às vítimas de violência sexual.

Durante a reunião, os participantes puderam dialogar sobre as temáticas abordadas, gerando um ambiente favorável que contribuiu para a aproximação entre saberes especializados/científicos e conhecimentos que emergem das experiências concretas e vivências dos cidadãos. O encontro de saberes gerado foi o ponto de partida para que a possibilidade de novos conhecimentos e ações híbridas sejam incorporadas tanto nos processos acadêmicos, quanto nas atividades cotidianas de quem atua nas organizações e entidades de proteção e defesa de direitos de crianças e adolescentes.